31 de maio de 2012

Dona Terezinha

Ao primeiro sinal do despertador, Dona Terezinha se pôs de pé. Calçou as pantufas verde-musgo, enrolou-se no robe cor-de-rosa e rumou à cozinha. Estava tonta. Pensara, quando fora dormir, que sequer conseguiria sair da cama naquele chuvoso dia. Bobagem, pois tempo ruim ou bom, sempre acordava cedo. Seguia sua agenda à risca, sem faltar aos compromissos.

Preparou um café da manhã reforçado: com ovos mexidos, café com leite e sanduíche. Devorou o pequeno banquete e esperou as coisas voltarem ao normal. Sem resultado, abriu a segunda gaveta abaixo da pia da cozinha e apostou em dois comprimidos pequenos e ovais. Os movimentos começaram no apartamento ao lado. Era hora de se vestir, pois logo o vizinho estaria pronto e bateria a sua porta.

No quarto, o vestido azul marinho aguardava Dona Tereza, passado a ferro na véspera. Vestiu a roupa, colocou nos lábios o batom vermelho de sempre e, nas orelhas, os brincos de pérola completaram o visual. Toc! Toc!, soou na entrada de seu apartamento. Apressada, a senhora de cabelos brancos borrifou o perfume e se pôs de pé. Hora de trabalhar.

Não faça amigos bebendo leite

( Crônica publicada em Jornal O Açoriano - 17 de maio de 2013) Há muito mais por trás das notícias da adulteração de leite do que o fa...