Ao primeiro sinal do despertador, Dona Terezinha se pôs de pé. Calçou as pantufas verde-musgo, enrolou-se no robe cor-de-rosa e rumou à cozinha. Estava tonta. Pensara, quando fora dormir, que sequer conseguiria sair da cama naquele chuvoso dia. Bobagem, pois tempo ruim ou bom, sempre acordava cedo. Seguia sua agenda à risca, sem faltar aos compromissos.
Preparou um café da manhã reforçado: com ovos mexidos, café com leite e sanduíche. Devorou o pequeno banquete e esperou as coisas voltarem ao normal. Sem resultado, abriu a segunda gaveta abaixo da pia da cozinha e apostou em dois comprimidos pequenos e ovais. Os movimentos começaram no apartamento ao lado. Era hora de se vestir, pois logo o vizinho estaria pronto e bateria a sua porta.
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