(Crônica publicada em Jornal O Açoriano - 17 de maio de 2013)
Há muito mais por trás das
notícias da adulteração de leite do que o fato em si. E olha que a situação já é
escabrosa. Já nos deixa surpreendidos com a índole de nossos conterrâneos, que
evidentemente sabiam das consequências do adicionamento de ureia ao produto. Inquestionável.
Prova disso é a separação do que deveria ser destinado as suas famílias.
O fato é que algo nos faz pensar
e nos preocupa a cada visita ao supermercado: como não desconfiar dos produtos
que estão nas prateleiras? É um exercício difícil. Deixamos de pensar que
existe um fato isolado, diante de tantas notícias ruins, para acreditar que
talvez seja a regra.
Ignorância pensar assim? Não. É
estar atento e desconfiado. Que existem empresas sérias, não duvido. Mas como
podemos saber em quais confiar, se diante de fatos como o da adulteração até
mesmo elas parecem recuar? Explico: segundo as empresas, a alteração era feita
no transporte, após a retirada no meio rural.
Não se pode dizer, no momento,
quais são os verdadeiros responsáveis pela situação. Deixemos isso por conta da
justiça, que é quem deverá fazer os devidos apontamentos. Também não devemos
denegrir as imagens de empresas que podem ter sido vítimas da situação.
Enfim. O que se pode dizer é que
não existe um devido controle. Se houvesse, com ou sem a participação delas, os
produtos estariam de acordo com o que deveriam ser. A questão não é apenas a de
quem é a culpa. É se podemos confiar no que nos é vendido.
Podemos, e devemos, verificar a
data de validade dos produtos. Mas, não podemos confiar inteiramente nas
informações que nos são passadas nas embalagens: podemos estar sendo lesados.
Diante da frase “nunca fiz amigos bebendo leite”, lembre: infelizmente, talvez
seja mesmo o melhor a se fazer.
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