19 de maio de 2013

Não faça amigos bebendo leite

(Crônica publicada em Jornal O Açoriano - 17 de maio de 2013)

Há muito mais por trás das notícias da adulteração de leite do que o fato em si. E olha que a situação já é escabrosa. Já nos deixa surpreendidos com a índole de nossos conterrâneos, que evidentemente sabiam das consequências do adicionamento de ureia ao produto. Inquestionável. Prova disso é a separação do que deveria ser destinado as suas famílias.

O fato é que algo nos faz pensar e nos preocupa a cada visita ao supermercado: como não desconfiar dos produtos que estão nas prateleiras? É um exercício difícil. Deixamos de pensar que existe um fato isolado, diante de tantas notícias ruins, para acreditar que talvez seja a regra.

Ignorância pensar assim? Não. É estar atento e desconfiado. Que existem empresas sérias, não duvido. Mas como podemos saber em quais confiar, se diante de fatos como o da adulteração até mesmo elas parecem recuar? Explico: segundo as empresas, a alteração era feita no transporte, após a retirada no meio rural.

Não se pode dizer, no momento, quais são os verdadeiros responsáveis pela situação. Deixemos isso por conta da justiça, que é quem deverá fazer os devidos apontamentos. Também não devemos denegrir as imagens de empresas que podem ter sido vítimas da situação.

Enfim. O que se pode dizer é que não existe um devido controle. Se houvesse, com ou sem a participação delas, os produtos estariam de acordo com o que deveriam ser. A questão não é apenas a de quem é a culpa. É se podemos confiar no que nos é vendido.

Podemos, e devemos, verificar a data de validade dos produtos. Mas, não podemos confiar inteiramente nas informações que nos são passadas nas embalagens: podemos estar sendo lesados. Diante da frase “nunca fiz amigos bebendo leite”, lembre: infelizmente, talvez seja mesmo o melhor a se fazer.

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